quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Movimentos sociais bloqueiam ponte sobre Velho Chico em apoio a Dom Luiz Cappio


Edição eletrônica de hoje do jornal A TARDE informa sobre mobilização de movimentos sociais de municípios baianos em apoio ao bispo Dom Luiz Cappio, que está em greve de fome pelo fim das obras de transposição de águas do rio São Francisco. Durante as manifestações, foi fechada a passagem pela BR 242, na ponte sobre o Velho Chico, fazendo com que motoristas esperassem até cinco horas para poder seguir viagem.

Abaixo, a matéria na íntegra.

Protesto de apoio a Dom Cappio
Miriam Hermes, da Sucursal Barreiras

Cerca de mil pessoas dos movimentos sociais organizados do Médio São Francisco e católicos das dioceses de Barra, Irecê, Bom Jesus da Lapa, Barreiras e Vitória da Conquista reuniram-se nesta quarta-feira em Ibotirama (660 km de Salvador, no oeste do Estado), para apoiar o bispo de Barra, Dom Luiz Cappio, em greve de fome pelo fim das obras de transposição.

Com músicas, faixas e cartazes pedindo a revitalização da bacia hidrográfica, por volta das 5 horas da manhã o grupo fechou a passagem na BR 242, sobre a ponte no rio São Francisco, onde motoristas e passageiros chegaram a esperar por cinco horas para seguir viagem, haja vista que de duas em duas horas uma das vias foi liberada, impedindo que se formassem filas com mais de 10 km, nos dois sentidos da rodovia.

Indiferentes às razões do protesto, a maioria dos viajantes parados na estrada sob um calor de 39 graus centígrados, se mostrou revoltada com o movimento. De acordo com o agente da PRF, Luciano Souza, ocorreram casos extremos como doentes, crianças e idosos que necessitaram de cuidados especiais. "Eu mesmo socorri dois idosos com princípio de enfarto até o Hospital de Ibotirama", afirmou.

O movimento foi encerrado no final da tarde com uma caminhada pelas ruas da cidade e um evento ecumênico de orações na margem do rio São Francisco. "Nós apoiamos a greve de fome do bispo Dom Luiz Cappio, pois ele está defendendo todo o povo que mora e que depende deste rio e seus afluentes", destacou o coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores assentados, acampados e quilombolas (Ceta), Bartolomeu Guedes, 39 anos, do município de Serra do Ramalho.

Para a coordenadora da Câmara Consultiva do Médio São Francisco, Edite Souza, a falta de diálogo por parte do governo sobre a transposição provocou essa situação. "Por isso, como Dom Luiz, nós queremos projetar o assunto na sociedade, para que ela também se dê conta do erro que é esse projeto, enquanto que as pessoas do Vale estão precisando de água não só para beber, mas também para produzir com sustentabilidade", salientou.

"Estamos aqui porque não podemos perder o bispo Dom Luiz", enfatizou o trabalhador rural Josias Pereira de Souza, 61 anos. Assentado em um projeto de Reforma Agrária do município de Muquém do São Francisco, ele se emocionou ao lembrar do bispo. "Ninguém conhece este rio e seus moradores como ele, que caminhou um ano da nascente à foz e há mais de 30 anos mora na nossa região".

Falta conhecimento

A agricultora e estudante de zootecnia, Isabel Gualberto da Silva, 58 anos, foi enfática ao dar seu recado ao presidente da república: "Não deixe o Frei Luiz morrer, porque ele não vai sozinho. Tem mais gente nesta briga, que é nacional e internacional".

Ela, que mora no município de Lapão e viajou 8 horas de ônibus para participar do movimento, disse que agora quer ir ver Dom Luiz em Sobradinho "porque quanto mais gente tiver com ele, maior será a força contra essa transposição".

Preocupada com a saúde do bispo, Isabel disse querer acreditar que o Governo Federal vai se sensibilizar com a postura do religioso e as manifestações de apoio que ele vem recebendo, "e vai propor um diálogo aberto e franco, como ficou acertado no fim da primeira greve de fome". Para ela, falta conhecimento por parte dos brasileiros em geral acerca do projeto de transposição "que vai consumir muito dinheiro público e vai atingir principalmente projetos empresariais, ao invés de beneficiar os trabalhadores mais necessitados", afirmou.

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