quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Desmatamento Zero de SP inclui o Cerrado

A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo publicou Resolução proibindo o corte e supressão de vegetação nativa em todo o território paulista. Os fragmentos de cerrado e cerradão estão entre as áreas abrangidas pela medida.

Foi publicada no Diário Oficial do Estado, no dia 22 de setembro, a Resolução 40 da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, que dispõe sobre o projeto stratégico Desmatamento Zero , proibindo o corte e supressão de vegetação nativa no território paulista.

A resolução justifica que a fauna e a flora nativa do Estado, reconhecidas de utilidade ambiental, precisam ser conservadas por meio do aperfeiçoamento dos procedimentos de licenciamento, e fiscalização, estabelecendo mecanismos de gestão sujeitos à avaliação periódica, que garantam a efetividade das medidas mitigadoras e compensatórias exigidas no processo de licenciamento.

Desta forma, fica suspensa a concessão de autorização para a supressão de vegetação nativa nos seguintes casos:

I. Quando a área abrigar espécies da flora e da fauna silvestres ameaçadas de extinção, em território nacional ou estadual, assim declaradas pela União ou pelo Estado, e a intervenção ou a atividade colocarem em risco a sobrevivência dessas espécies;

II. Quando tratar-se de fragmentos de cerrado, cerradão e florestas nativas do Bioma Mata Atlântica, em estágios médio e avançado de regeneração;

III. Quando existir passivo ambiental no imóvel, consistindo de auto de infração ambiental não regularizado ou ocupação irregular de Área de Preservação Permanente - APP.

Ainda dentro do Projeto Estratégico Desmatamento Zero, será efetuada a revisão dos critérios técnicos e a definição de novos parâmetros para a concessão de autorizações para supressão de vegetação nativa, para cada bioma.

A resolução entrou em vigor na data da publicação e inicialmente tem prazo de 180 dias.

.: fonte: Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Câmara dos Deputados discute uso sustentável do Cerrado e Caatinga

A Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira (9) em Brasília audiência pública para debater o tema "Biomas Cerrado e Caatinga - Uso e Ocupação Sustentável". Participam do evento representantes da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), da Comissão de Meio Ambiente da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o técnico do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) Nilo D'Avila. A audiência foi realizada às 9h30, no plenário 16.

O representante do ISPN apresentou aos participantes uma avaliação sobre a produção agropecuária no Cerrado, o aumento da produção de cana-de-açúcar no bioma e suas conseqüências para o meio ambiente e as populações rurais.

Para Nilo D'Avila, a ausência de um sistema de controle e monitoramento do desmatamento no Cerrado impede a concepção de políticas públicas com bases em dados reais. Todavia, estima-se que o desmatamento na região seja de cerca de 22 mil km2 por ano, o que supera os índices registrados na Amazônia.

O agravante, segundo D'Avila, é que a Amazônia depende dos recursos hídricos do Cerrado. Para o assessor do ISPN, o desmatamento afeta a relação de interdependência entre os biomas."Além disso, a perda de biodiversidade pode fazer extinguir espécies de enorme potencial alimentar e medicinal", alerta.

O clima também é afetado pelo aumento dos gases de efeito estufa decorrentes das queimadas sem controle dentro e fora das áreas protegidas do Cerrado. No período de seca deste ano, nada menos do que dez parques nacionais localizados no bioma pegaram fogo. "Ficou demonstrado que o Estado não tem condições de operar em situações de secas prolongadas devido á falta de recursos humanos e equipamentos", disse Nilo D'Avila. Com o aquecimento climático, a situação tende a se agravar.

Para ele, os parlamentares podem colaborar apresentando emendas com recursos financeiros para que o governo possa desenvolver um sistema de monitoramento e controle do desmatamento em parceria com o Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Seriam necessários cerca de R$15 milhões para o desenvolvimento do sistema que levaria três anos para ser criado e implementado.

Nilo D'Avila lembra que o debate na Câmara dos Deputados faz parte das discussões sobre a inclusão do Cerrado e da Caatinga na relação dos biomas considerados Patrimônio Nacional. A medida está prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 115/95, que está pronta para inclusão na pauta de votações da Câmara.

.: fonte: Jaime Gesisky - ISPN

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Mudanças climáticas é tema predominante no 58° Congresso Nacional de Botânica

Com o tema "A Botânica no Brasil: Pesquisa, Ensino e Políticas Públicas Ambientais", será realizado na cidade de São Paulo, o 58° Congresso Nacional de Botânica. O fenômeno das mudanças temáticas é transversal em todo o evento, estando presente em diversas conferências magistrais. O congresso será entre 28 de outubro e 2 de novembro, no Centro de Exposições Imigrantes e no Instituto de Botânica de São Paulo.

No auditório Cabreúva, às 11h30 de segunda-feira (29/10), José Felipe Ribeiro, da Embrapa de Brasília, conduzirá o tema "Diversidade de paisagens e de espécies no Bioma Cerrado, agricultura e possíveis implicações em mudanças climáticas".

Programação completa, inscrições e informações podem ser obtidas pelo endereço
http://www.58cnbot.com.br/.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Alto Paraíso se mobiliza contra as queimadas

Alarmada pela crescente onda de queimadas e seus devastadores danos, a comunidade de Alto Paraíso (GO) está se mobilizando para reverter este dramático quadro.

Neste sábado (6 de outubro), acontecerá o Primeiro Encontro dos Atingidos pelas Queimadas de Alto Paraíso. O evento será a partir das 13 horas, na feira do produtor - ao lado da Prefeitura Municipal, e reunirá representantes de ONGs, de órgãos governamentais e da comunidade, com o objetivo de debater o desenvolvimento de uma estratégia de prevenção e combate ao fogo. O fenômeno das queimadas tem crescido nos últimos anos e aumentado a gravidade de suas conseqüências.

De acordo com o boletim Flor do Cerrado, da Rede Verde Brasil, "As queimadas e os desmatamentos liberam gás carbônico e calor para a atmosfera, contribuindo juntamente com a queima de combustíveis fósseis, para tornar o ar mais seco e mais quente. Essas forçantes climáticas aprofundam os períodos de seca, expandem as áreas desérticas e alteram o movimento dos ventos, criando as condições para que o fogo, ao pegar, vá muito além do que poderiam imaginar seus autores."

Mais informações: redeverdebrasil@gmail.com. Anjje Cristina e Regina Figueiredo integram a comissão organizadora do evento.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

FrutaSã vence o 3º Prêmio CEBDS de Desenvolvimento Sustentável

A fábrica FrutaSã, empresa da Associação Wyty Catë das Comunidades Timbirado Maranhão e Tocantins em parceria com o Centro de Trabalho Indigenista, foi anunciada como vencedora do 3º Prêmio de Desenvolvimento Sustentável do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, na categoria Pequenas Empresas. Concorreram ao prêmio 286 iniciativas de todo o Brasil. A premiação reconhece e destaca a atuação da FrutaSã no desenvolvimento de atividades economicamente viáveis, ambientalmente responsáveis e socialmente inclusivas, constituindo-se como uma solução criativa e inovadora na construção de um ambiente mais justo para as populações da região.

A fábrica é parte do Projeto Frutos do Cerrado, realizado pelo Centro de Trabalho Indigenista - CTI em parceria com os povos Timbira do Maranhão e doTocantins. A indústria beneficia frutas nativas do cerrado, coletadas através do esforço conjunto e inovador que comunidades indígenas e pequenos produtores realizam para preservar o Cerrado, paisagem da qual dependem para viver. Os frutos originam-se de áreas nativas e de plantio, com manejo orgânico e livre de agrotóxicos. O beneficiamento em polpa não inclui nenhum tipo de aditivo químico ou conservantes, garantindo-se a qualidade do produto.

.: fonte: www.trabalhoindigenista.org.br

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Articulação Pacari promove debate sobre a proteção de conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade

Organizações comunitárias e legislação específica devem proteger os conhecimentos tradicionais contidos na Farmacopéia Popular do Cerrado. Esta foi uma das conclusões dos pesquisadores populares, em 2004, quando, por iniciativa da Articulação Pacari, deu-se início à sistematização dos conhecimentos em torno da medicina popular da região.

Para se criar os mecanismos de proteção necessários, tornou-se imperativo o aprofundamento dos debates em torno da Medida Provisória 2186/16-01, para a proteção dos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade, e da Política de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Nesta perspectiva, desde 2006, a Pacari realiza eventos como a oficina "Medicina Popular e a Legislação de Acesso a Recursos Genéticos, Conhecimentos Tradicionais e Repartição de Benefícios", ocorrida no município goiano de Luziânia, entre os dias 27 a 29 de agosto de 2007. O evento foi realizado em parceria com o DPG/MMA (Departamento do Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente).

Para a Articulação Pacari, o Programa Nacional Plantas Medicinais e Fitoterápicos deve contemplar ações e recursos para estruturar as farmacinhas comunitárias e promover o acesso das comunidades a reservas de plantas medicinais, além de garantir a produção, troca e comercialização de remédios caseiros.

"O governo está fazendo muitas políticas. As comunidades são chamadas para conhecer e opinar sobre as políticas e na maioria das vezes estas políticas não atendem à realidade das comunidades. As políticas também são muito fragmentadas, não convergem e ainda exigem um tempo diferenciado para a sua elaboração e execução - existe o tempo do governo, o tempo da política em si e o tempo das comunidades", diz trecho do relatório final da oficina.

Destaca-se, entre os resultados do evento, a criação de uma articulação entre redes e movimentos sociais que trabalham com Medicina Popular, Plantas Medicinais e Conhecimentos Tradicionais no país: a ANPLA - Articulação Nacional de Plantas Medicinais, formada inicialmente pela Articulação Pacari, Associação Central de Saúde Alternativa (ACESA), Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), GT Biodiversidade da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e Rede Fitovida.

Conheça na íntegra o relatório da oficina.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

PPP-ECOS tem US$ 720 mil para projetos sustentáveis no Cerrado

O Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS) destinará este ano US$ 720 mil para organizações sociais comunitárias, ONGs e instituições que atuam nos doze estados abrangidos pelo bioma Cerrado. Os recursos serão aplicados no apoio e criação de alternativas econômicas sustentáveis para as comunidades da região. As propostas poderão ser enviadas até 12 de novembro para o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), que coordena o PPP-ECOS no Brasil desde a criação do programa em 1994.

O programa existe em cem países e é financiado pelo Small Grants Programme (SGP), vinculado ao Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF) da Organização das Nações Unidas. A execução dos projetos apoiados pelo PPP-ECOS se dá por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com interveniência do Escritório de Serviços de Projetos das Nações Unidas (UNOPS).

O PPP-ECOS tem duas categorias de apoio: Pequenos Projetos com recursos de até US$30 mil para apoio geral e Projetos de Consolidação, com recursos de até US$50 mil para experiência/projeto com resultados e impactos positivos já comprovados e que possam ser replicados em outras comunidades.

Terão prioridade os projetos voltados para a promoção das capacidades e potencialidades de comunidades locais, inclusive tradicionais e indígenas, resultando na promoção de modos de vida sustentáveis. As propostas também devem demonstrar a viabilidade dos objetivos, gerando resultados concretos nos prazos previstos e com os recursos disponíveis.

Para concorrer ao edital, os projetos devem se referir ao bioma Cerrado ou às zonas de transição entre o Cerrado e Caatinga, Amazônia ou Pantanal. A entidade proponente não precisa estar sediada nesses biomas, mas deve atuar na região. Organizações governamentais, empresas privadas ou pessoas físicas não podem participar da seleção. A duração do projeto deve ser de até dois anos.

Sustentabilidade

Apesar de sua biodiversidade, os recursos hídricos estratégicos e sua importante participação na manutenção do clima do Planeta, o Cerrado sofre fortes pressões com a expansão da fronteira agropecuária, as obras de infra-estrutura e do crescimento urbano. Estima-se que o bioma já tenha perdido cerca da metade de sua cobertura vegetal nas últimas décadas, com perdas incalculáveis para a biodiversidade mundial.

“O apoio às comunidades rurais, sejam elas tradicionais ou de agricultores familiares é uma forma de ajudar a manter o Cerrado para as gerações futuras”, explica Andréa Lobo, presidente do ISPN. Segundo ela, os impactos positivos decorrentes do apoio do PPP-ECOS às comunidades do Cerrado podem ser percebidos nos 236 projetos localizados em toda a região de abrangência do bioma.

São mais de 150 organizações atendidas e cerca de US$ 6 milhões destinados aos beneficiários nos 12 anos de existência do programa. A lista completa de projetos apoiados pelo PPP-ECOS pode ser encontrada no site do ISPN (www.ispn.org.br)

Mais informações: (61) 3327 8085

.: fonte: Assessoria de Comunicação do ISPN.